Resolução de Ano Novo: Fazer Diferente

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Resolução de Ano Novo: Fazer Diferente

Internacionalização é hoje o termo na ordem do dia, nos jornais e debates económicos, nos programas e conferências da AICEP, e sobretudo nas estratégias das empresas que não vêm no mercado interno resposta para a sustentabilidade e identificam na exportação de bens e serviços um dos caminhos mais relevantes para crescer e aliviar o impacto da economia nacional.

NF

A internacionalização da Projecto.Detalhe, da qual sou Presidente Executivo, é assim apenas um exemplo das empresas portuguesas que hoje descobrem novas rotas e posições geográficas. Nós (Projecto.Detalhe) acabámos de chegar à Ásia. Depois de África. E do Brasil. E neste processo de novos descobrimentos, é inevitável recuar aos primeiros. Mas não por uma simples questão de satisfazer o meu gosto apurado por História ou alimentar a minha ‘vocação’ de marinheiro da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique.

Os que me conhecem melhor sabem bem como eu gosto de viajar aos tempos de D. Dinis, ele que fomentou as trocas com outros reinos e criou o Almirantado e aquela que seria a Marinha Portuguesa – aqui estava a génese da indústria da construção naval que, já no reinado de D.João I, veio a impulsionar os Descobrimentos.

Fascina-me de facto a História. Mas interessam-me também as lições que podemos tirar dela. Se um povo com um milhão de habitantes conseguiu descobrir o Mundo, porque não replicar algumas das suas estratégias? Se andámos há 500 anos a arrumar o mapa, como não conseguimos organizar agora a nossa própria casa?

E posto isto, entre viagens e reuniões de negócios, tenho-me esforçado por reservar tempo para descobrir o que posso aprender com aquele povo (o nosso) que, exatamente ao contrário do que acontece na atualidade, atraía os cérebros europeus, mobilizados por um projeto inovador e desafiante na altura.

Um livro aqui, uma pesquisa ali, retirei então dos Descobrimentos as principais características de uma liderança bem-sucedida num processo de internacionalização saudável e de sucesso:
– Compilação do estado da arte do conhecimento sobre o produto e o mercado;
– Identificação e capitalização das janelas de oportunidade, para a realização de mudanças sistémicas;
– Compreender e implementar uma política de geometria variável na internacionalização – sair da zona de conforto; lutar contra os velhos do Restelo, conforme imortalizou Camões no Canto IV dos Lusiadas;
– Compreender a geopolítica e adaptar a estratégia do processo de internacionalização;
– Estar aberto a ideologias diferenciadas, não abraçando integrismo ideológico;
– Parcerias – foram fundamentais para o sucesso dos Descobrimentos portugueses. Enquanto país europeu, Portugal recorreu a artífices alemães, suíços e flamengos, mas também a cientistas e técnicos atraídos por bons salários, prestígio e privilégios.

Há lições a tirar dos Descobrimentos. E este meu gosto descomedido por História acabou por transformar-se em tese de Mestrado, parte que partilhei acima e que espero continuar a partilhar, com sucesso, com a minha tripulação, na estratégia de internacionalização da Projecto.Detalhe.

À luz dos Descobrimentos, para a realização com sucesso de um empreendimento, o foco não deve ser posto em ser melhor, mas em ser diferente!

E eu estou certo que estas lições nos podem ajudar (enquanto país e empresa) a fazer diferente.