Crónica de um italiano em Macau

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Crónica de um italiano em Macau

Macau para principiantes

Como sempre acontece quando se inicia um novo trabalho num país estrangeiro – aconteceu-me o mesmo quando cheguei a Portugal em 1998, é preciso gerir o tempo entre as tarefas diárias e as burocracias.

Paolo Polita, Far East Branch Manager, Projecto.Detalhe Macau

São sempre dias cheios com corridas entre escritórios e reuniões com clientes

Além do trabalho, é preciso também ir ao banco para abrir uma conta nova, ao contabilista para assinar um contrato de assistência, à advogada para verificar o processo de obtenção dos vistos, etc…

Sendo que a prioridade neste primeiro trimestre tem sido estudar o mercado local.

Macau tem um crescimento impensável, hoje na Europa, e o mundo dos casinos pode oferecer bons negócios. Macau facturou no ano passado sete vezes mais que Las Vegas!Cada dia, chegam a Macau 100.000 turistas (98%) chineses para ir jogar nos 35 casinos da cidade!

Nas salas de casinos, já assisti a pessoas com sacos de plástico do supermercado cheia de notas, a jogar nas mesas ou a trocar dinheiro para as slotmachines!

Uma sala de jogo do Venetian, o maior Casino do mundo, que tem lá dentro canais com gôndolas como em Veneza, apresenta a dimensão de um campo de futebol.
E quase cada casino tem uma subestação eléctrica própria para alimentar as instalações, com uma potência que dá para uma pequena cidade portuguesa.

Digamos que Macau é um país com duas faces: uma moderna, luxuosa, comercial, que é a face dos casinos, com tudo o que se pode imaginar de novo.
Armani, Prada, Chanel, Dior etc. em todo o lado, iPhones da última geração, restaurantes muito caros e limusinas.
A outra face é a das vias pequeninas com prédios ruidosos, lojas velhas que vendem parafusos e coisas que ninguém em Portugal imaginaria ter mercado.
Muito poucas pessoas falam inglês e ninguém fala português (para além dos portugueses que cá vivem), mesmo sendo uma das línguas oficiais de Macau.
Tudo isto certamente fascina, no início, depois percebe-se que a vida do dia a dia não é muito diferente a da Europa.

A nível de negócios, apercebi-me já de alguns hábitos diferentes.
No início das reuniões, por exemplo, oferecem sempre um copo de água, mas um copo de água quente! Eu nunca bebo!

E quando entregam o cartão-de-visita, é sempre segurando-o com as duas mãos.

Agora já faço assim… Em Roma, como todos sabem, é preciso comportarmo-nos como um romano!