Feminino e Masculino, definitivamente

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Feminino e Masculino, definitivamente

Por Maria Mota, Prémio Pessoa 2013.

No mês da Mulher, convidámos a vencedora do Prémio Pessoa 2013 a colaborar com a Newsletter Projecto.Detalhe.

No final de um seminário meu num congresso internacional, uma jovem cientista aproxima-se de mim, elogia-me a palestra e agradece-me por “mostrar que é possível ter tudo”. Eu pergunto o que é “tudo”, ao qual ela responde “ser mulher e ser bem sucedida”.

Maria M. Mota, Investigadora, Instituto de Medicina Molecular Prémio Pessoa 2013

Senti-me lisonjeada, mas não consigo deixar de me questionar como é que uma jovem aspirante a ser cientista ainda sente a pressão de ser mulher em pleno século XXI.

A verdade é que as estatísticas não enganam. Se há cada vez mais mulheres, já muitas vezes em maior número que os homens, a terminar cursos universitários ou a desenvolver as suas teses de doutoramento, o valor das que atingem os mais altos níveis da carreira académica – na Europa como nos EUA – não ultrapassam os 10-15%.

Muitos se perguntarão por que razão isto é um problema. Muitos de nós defendem que dar poder às mulheres não é apenas algo que se deve fazer por ser politicamente correcto, mas porque é necessário na construção de um mundo melhor.

E porquê? Homens e mulheres são sem dúvida diferentes e, por isso, vivem o seu dia-a-dia e crescem de modo distinto, moldando a forma como vêem os problemas ou encontram soluções de forma diversa. É esta diversidade que aumenta o horizonte e enriquece o processo de pensamento, sendo indubitavelmente fundamental para construir um mundo melhor.

Este processo de pensamento está também, e de forma vincada, no coração da ciência, onde nós cientistas procuramos respostas para as questões mais pertinentes sobre aquilo que nos rodeia, com um impacte crítico na forma como a sociedade e os povos evoluem.

Assim, a sociedade não deve e não pode permitir ou apoiar (se bem que muitas vezes o faça de forma passiva) que as respostas para os problemas mais críticos do mundo estejam dependentes de um qualquer grupo restrito de indivíduos. Mulheres e homens têm que reaprender a viver em conjunto – não como membros “iguais”, mas como membros com os mesmos direitos e as mesmas obrigações nas decisões não só individuais mas, especialmente, naquelas que afectam o rumo do mundo em que vivemos.