Verdades La Palice

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Verdades La Palice

Por Joaquim Neto Filipe, CEO Projecto.Detalhe

Técnico, ISEL, Nova e Náutica, são as Escolas de Engenharia de onde são oriundos os Engenheiros Mecânicos que reforçaram os quadros da Projecto.Detalhe.

Uns enquanto estagiários, ao abrigo do protocolo com o IEFP, outros pela reconhecida competência que alcançaram também no estrangeiro, e outros ainda porque simplesmente têm perfil e capacidade – faltava-lhes uma oportunidade.

É a combinação de experiência, fibra e vontade de realizar, que tornam as equipas de trabalho competitivas e equilibradas, garantindo qualidade aos clientes.

Contudo, apesar do apoio do Estado, este esforço de recrutar engenheiros acabados de formar, esbarra depois na estratégia de muitas grandes empresas portuguesas, que ao contrário das suas congéneres europeias ou mesmo mundiais, não protegem os seus fornecedores e as suas (boas) práticas de integrar no mercado de trabalho a matéria-prima de que é feita a indústria e o país – o conhecimento.

Quando a nossa melhor geração emigra como alternativa ao desemprego, a integração de jovens recém licenciados nas empresas é um dever. E esta afirmação não é a de um pai com duas filhas universitárias. É a reacção de um gestor face à catadupa de jovens portugueses que não vão para o estrangeiro obter experiência para voltarem mais ricos e ajudarem a fazer crescer o país. Vão bilhete de volta no horizonte.

Travar este fenómeno implica que as empresas portuguesas, grandes e pequenas, estejam unidas num esforço de desenvolvimento e integração de novos quadros.

A verdade é que, com as grandes companhias a preferirem empresas estrangeiras a portuguesas, deixa de haver trabalho para as pequenas empresas. (Recorde-se que mais de 95 % das empresas portuguesas são pequenas e médias empresas).

A verdade é que nenhuma empresa recruta se não tiver trabalho.
É a chamada verdade La Palice. E por isso nem deveria ser necessário recordá-la.